LIXO ZERO

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Por André Tomé

Você sabia que nós, seres humanos, despejamos cerca de 30 milhões de toneladas de plástico por ano nos oceanos e que isso equivale a 3 caminhões de plástico sendo jogados no mar a cada minuto? Os oceanos são o verdadeiro pulmão do mundo e detêm 80% da vida terrestre e, se continuarmos nesse ritmo, estudos mostram que em 2040 haverá mais plástico do que peixes nos mares.

tartaruga e plasticSe você acha que não tem nada a ver com isso, pense bem: como está o mar, praia, praça e ruas próximas a você? Mesmo quando você joga o seu “lixo” no lixo ele deixa de existir? Você sabia que nós, Santistas, pagamos R$ 145 milhões por ano com limpeza urbana, coleta, transporte e destinação final do lixo? Só como comparação, isso equivale a 5 vezes o dinheiro gasto no Hospital dos Estivadores! Isso mesmo, 5 hospitais, todo ano! Sabe onde está o dinheiro necessário para aquela escola, hospital, praça ou melhoria que a cidade tanto precisa? Estamos jogando no lixo.

O movimento Lixo Zero prega que, em primeiro lugar, devemos rever hábitos e diminuir o consumo, principalmente de descartáveis. Isso inclui, mas não se limita, a recusar canudinhos, afinal, quem é que desaprendeu a beber no copo e precisa de um canudo? Inclui ainda, levar consigo uma garrafa d’água e um copo para não usar mais copos descartáveis e levar sacolas retornáveis quando for às compras e deixar de usar sacolas plásticas que rasgam com facilidade e, com o vento e a chuva, mais cedo ou mais tarde, acabam indo parar no mar.

Em segundo lugar, após devolver o que for possível pra origem (logística reversa), precisamos encaminhar resíduos como papel, plástico, metal e vidro para reciclagem, pois esses materiais têm valor, geram emprego, renda e deixam de saturar os aterros que são caros e limitados. Também deve-se ter especial atenção com pilhas, baterias, eletrônicos e lâmpadas, pois esses contêm metais pesados ou químicos que são tóxicos ao meio ambiente e não podem ser misturados ao lixo comum. Muitos supermercados são pontos de coleta de pilhas e baterias. Lâmpadas devem ser devolvidas onde foram compradas ou onde você for comprar lâmpadas novas e os eletroeletrônicos devem ser encaminhados à Fundação Settaport.

Para além disso, cerca de 50% de nossos resíduos são orgânicos, podem e devem ser compostados e é isso que a humanidade sempre fez. É incrível que hoje seja tabu falar sobre essa que é uma prática tão simples, natural e antiga. Mesmo morando na cidade, hoje existem composteiras domésticas que podemos ter em apartamentos. Acredite: feito corretamente, não atraem pragas, não têm cheiro e no final te dão um adubo natural e orgânico de ótima qualidade.

Assim, o Lixo Zero é uma meta ética, econômica, eficiente e visionária para guiar as pessoas a mudar seus modos de vida de forma a incentivar os ciclos naturais sustentáveis, onde todos os materiais são projetados para permitir sua recuperação e uso pós-consumo. Uma gestão Lixo Zero é aquela que não permite que ocorra a geração do lixo, que é a mistura de resíduos recicláveis, orgânicos e rejeitos, reduzindo assim o desperdício destes materiais em aterro.

Podemos também dizer que Lixo Zero é um estilo de vida no qual o indivíduo, e consequentemente todas as organizações das quais ele faz parte, passam a refletir e se tornam conscientes dos caminhos e finalidades de seus resíduos antes de descartá-los.

Vamos iniciar essa jornada rumo a uma consciência mais prática e responsável? Eu te garanto que tudo é uma questão de atenção e de dar o primeiro passo.

André Tomé – coordenador do movimento Lixo Zero em Santos.

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